Aula Experimental
 
Lição de casa: Tênis nas Escolas PDF Imprimir E-mail
Escrito por Suzana Silva   
Qua, 13 de Junho de 2012 12:16
O primeiro contato da criança com o handebol, com o voleibol e com o basquetebol é na escola.  O futebol, caso à parte: grande maioria dos meninos brasileiros são incentivados a chutar bola desde que...bem, desde que conseguem sustentar-se em duas pernas.  Será que o fato de serem amplamente praticados nas escolas ajuda em sua popularização?

Se pensarmos na quantidade de títulos mundiais, pan-americanos e sul-americanos nestas modalidades coletivas, versus os títulos mundiais conquistados pelo tênis, e também em número de praticantes destes esportes em nosso país, podemos concluir que o fato de estarem presentes nos programas de Educação Física das escolas ajuda muito.

O primeiro contato da criança com o tênis nas escolas é um sonho antigo de vários treinadores e professores brasileiros há mais de uma década.  Patrícia Medrado, ex-tenista profissional e uma das pioneiras deste movimento no Brasil, iniciou um projeto por iniciativa própria em 1996.  Na época, com o empurrão do ídolo Guga vencendo seu primeiro Roland Garros em 97, o projeto ganhou bastante repercussão na mídia.

Na esteira desta iniciativa, muitos professores encamparam seus projetos Brasil afora, todos por iniciativa privada, com pouca ou nenhuma ajuda dos órgãos educacionais e esportivos do País.  Há dois anos a Confederação Brasileira de Tênis deu um passo importante ao iniciar seu programa “Jogue Tênis nas Escolas”, e tem até o momento dado um suporte principalmente informativo e formativo aos professores interessados.

Enfim, qual a lição de casa que precisa ser feita?

FILOSOFIA bem compreendida
O trabalho esportivo nas escolas deve ter caráter educativo e formativo, respeitando as características e necessidades das crianças e estar alinhado com a orientação pedagógica da entidade.  O professor que conduz o programa deve compreender sua responsabilidade de educador para a vida através do tênis.  Valores caros à sociedade como respeito, disciplina, cooperação e autonomia devem ser estimulados no programa.

Ao mesmo tempo, o professor pode ter o olhar clínico para detectar talentos e encaminhá-los para centros de tênis que possam continuar a estimular o desenvolvimento da criança no esporte.  De qualquer modo, a prática inicial deve ser inclusiva, com atividades progressivas que permitam que todas as crianças tenham sucesso em suas tarefas.  Essa primeira experiência positiva é muito importante.

FORMAÇÃO ampliada
No Brasil, a modalidade tênis está em poucas Faculdades de Educação Física e Esporte.  
Mas foram professores de tênis com curso superior em Educação Física e Esporte ao redor do mundo que revolucionaram a maneira de se ensinar o esporte.  Bolas mais lentas, quadras menores, raquetes mais leves e exercícios progressivos com ênfase em tarefas cooperativas e desafiadoras fazem com que todos experimentem o jogo no dia 1.

É preciso que se perca o medo de lidar com grupos grandes de alunos com raquetes na mão: aulas com dinâmicas cooperativas alternadas com competitivas fazem a festa das crianças.  Agora, o professor precisa estar bem formado e preparado: além do curso superior poder endereçar com mais carinho e profundidade as modalidades de raquete, é importante estar por dentro do que há de mais moderno em ensino de tênis pelo mundo, e a porta para isso no Brasil são os cursos de Capacitação da Confederação Brasileira de Tênis.  O curso de Especialização da Escola Superior de Educação Física de Jundiaí também está bem conceituado.  Mas ainda é pouco: queremos o tênis na graduação já!

MATERIAL ESPORTIVO
com imposto zero
Se as raquetes e bolinhas podem ser encontradas mais baratas do que nunca, inclusive em grandes cadeias de lojas esportivas e até em supermercados nas regiões sudeste e sul do país, sabemos que ainda há muita lição de casa a ser feita.  Os impostos cobrados em material esportivo importado pretendem incentivar a produção local.  OK.  Mas material esportivo, musical, artístico e educacional distribuído rapidamente neste país deveria ser prioridade nacional.

CONTINUIDADE DO PROGRAMA nas sonhadas quadras públicas
A criança experimenta o tênis, gosta e quer jogar mais, em quadra de tamanho oficial.  E agora?  O Programa da CBT indica a participação de “Células Receptoras”, que são academias de tênis no bairro das escolas que possuem tênis escolar, e que possam receber alunos interessados em seguir se desenvolvendo na modalidade a preços razoáveis.  Excelente idéia!

E a participação da comunidade para que cada vez mais quadras públicas sejam construídas é fundamental para o processo.  Nosso centro de treinamento parece ser um sonho menos distante com a mudança do Brazil Open para São Paulo.  Mas por que não iniciamos um movimento para riscarmos mais linhas de quadras de tênis nas poliesportivas já existentes?  E nos estacionamentos de shopping centers?

OPERACIONALIZAÇÃO: marcadores de quadra, mini redes, bolas lentas, raquetes menores, planejamento aula por aula
Em uma quadra poliesportiva podemos atender até vinte e quatro crianças de uma vez, com no mínimo doze raquetes, doze bolas vermelhas (75% mais lentas) e doze arcos.  O professor pode ter ajuda de um professor estagiário assistente, que o ajudaria nas orientações e segurança das crianças.  
Se a quadra tiver redes protetoras de contenção de bolas melhor, mas usar poucas bolas em atividades cooperativas tem dado resultados animadores para o aprendizado e para a organização das atividades.

ORGANIZAÇÃO DE DISPUTAS

Um festival interno no final do bimestre ou semestre do curso é fundamental para manter a motivação para aprender.  Se ensinamos um jogo, é importante jogar!
Agora, as crianças amam representar a escola em torneios interescolares: desenvolvem seu espírito de equipe, conhecem mais crianças para praticar fora das aulas, enfim, uma festa de tênis!

VAMOS?
 
 
 
Wilson
Centro Santista
Área de Treino
Zen-Ki
CBT