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Medo da popularização do Tênis? PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Suzana Silva   
Seg, 22 de Dezembro de 2014 16:54

Quem tem medo da popularização do tênis e do tênis escolar?

Depois daquele comentário infeliz sobre o tênis proferido por nosso digníssimo Presidente da Nação em 2010 para um garoto no Rio de Janeiro (“Tênis é o esporte da burguesia #*##!!!! Por que você não pratica natação?”), usarei meu par de óculos cor de rosa para diminuir a visibilidade dos preconceitos alheios, e escolherei chegar à conclusão de que tudo não passou de ignorância.  Ignorância não no sentido pejorativo, mas em seu sentido original de ignorar ou desconhecer os fatos.  Sou ignorante em vários assuntos, aliás, e mesmo naqueles nos quais me considero “assuntada”, reconheço minhas limitações.  Mas, vamos lá.

 

Todos os pais e mães que podem proporcionar um esporte para os filhos pensam em Natação por motivos de segurança em primeiro lugar: querem poder ir à praia ou a uma piscina e não ter medo de deixar os filhos brincar na água.  Num segundo momento, ficam sabendo por Professores e Pediatras que Natação é excelente para a saúde, pois trabalha o corpo harmoniosamente e fortalece a capacidade respiratória de seus praticantes.  A Natação não é um esporte presente nas escolas brasileiras devido aos altos custos de manutenção das piscinas; mas há centros aquáticos em muitos municípios, rios, mares, e os preços acessíveis das escolas particulares fazem da Natação um dos esportes mais praticados pelas crianças brasileiras. 

 

O primeiro contato da criança com esportes na escola acontece com o quarteto de ferro: Futebol, Voleibol, Basquetebol, e Handebol.  Coincidentemente ou não, em todos esses esportes o Brasil já foi campeão mundial (o título do Handebol demorou mais, mas esse é assunto para outro dia...).  Por que o tênis não pode entrar no currículo das aulas de Educação Física ou nos cursos extracurriculares também?  A meu ver, Professores de Educação Física que atuam em escolas ignoram o fato de que o tênis pode ser mais uma ferramenta educativa fantástica, e que é possível trabalhar sim com grandes grupos de modo seguro e interativo, com a moderna pedagogia do Play and Stay. 

 

Coordenadores pedagógicos de cursos de Graduação em Esporte e Educação Física ignoram que há professores de tênis formados capazes de conduzir a disciplina Tênis de Campo com maestria.  Professores de tênis ignoram que o meio escolar e acadêmico representa mais uma frente de trabalho e uma grande oportunidade para nosso esporte crescer cada vez mais.  Nossa modalidade está mais organizada do que nunca no Brasil, e as Universidades, mais abertas.  Precisamos ocupar esse espaço.  Nós nunca estivemos tão preparados para assumir essa tarefa, com cursos de Capacitação para o Tênis Escolar sendo realizados em todo o Brasil, e com toda informação dos centros mais avançados de tênis disponíveis na internet.

 

Mas, vamos supor que nós, praticantes, professores e atletas de tênis ainda não sabemos vender bem o nosso peixe.  Não sabemos ainda convencer as escolas e universidades de que nosso esporte é interessante e que pode ser uma disciplina afinada com a proposta pedagógica de cada instituição de ensino.  Imaginei tabular uma pesquisa comparando o tênis com ou outros esportes mais populares nas escolas brasileiras, naquilo que desenvolve em seus praticantes física, mental e emocionalmente.  O quadro ficaria mais ou menos assim:

 

 

 

QUALIDADES DESENVOLVIDAS EM SEUS PRATICANTES

FUTEBOL

VOLEI

BASQUETE

HANDEBOL

TÊNIS

Coordenação olho-mão

 

x

x

x

x

Agilidade

x

 

x

x

x

Integração entre os dois hemisférios cerebrais

x

x

x

x

x

Antecipação

x

x

x

x

x

Tempo de reação

x

x

x

x

x

Pensamento hipotético

x

x

x

x

x

Coragem

x

x

x

x

x

Disciplina

x

x

x

x

x

Respeito

 

x

 

 

x

Fairplay

 

x

 

 

x

Espírito de equipe

x

x

x

x

x

Resiliência

x

x

x

x

x

 

Uma observação atenta dá uma ligeira vantagem ao tênis:

1. O tênis possibilita vivências individuais, em duplas ou por equipes.  Mesmo nas disputas individuais, o atleta precisa trabalhar em equipe para chegar lá, pois não há como praticar sozinho;

2. No tênis praticado individualmente, todas as ações táticas são disparadas e executadas pela mesma pessoa, o que exige dela concentração total o tempo todo, reações rápidas, agilidade e antecipação sem precedentes; além de um condicionamento físico que lhe permita cobrir toda a extensão da quadra;

3. Uma tenista pode planejar sua estratégia geral de jogo previamente com o treinador ou parceira de treinos, mas durante a partida deverá necessariamente tomar suas decisões sozinha e sofrer todas as conseqüências;

4. Emocionalmente, nas disputas de simples, o tenista enfrentará os desafios e precisará se recuperar a cada ponto através de suas forças interiores (claro que ele pode também chamar a torcida para si....).  Não dá para culpar o parceiro, nem para se esconder em falhas alheias;

5. No tênis, os jogadores não podem “fazer cera” ou marcar “gols de mão”;

6. Respeito e fairplay fazem parte do DNA do esporte, desde sua criação pelos burgueses da Idade Média.  Mas será que respeito é bom só para os burgueses?

7. Por essas e outras nosso esporte é excelente formador de caráter, de pessoas fortes, além de extremamente divertido!

 

 

Uma das responsabilidades de todos os profissionais envolvidos no tênis e também de seus aficionados é primar pelo desenvolvimento do esporte no Brasil e no mundo.  Já disseram por aí que quem ama, cuida.  Com argumentos fortes podemos conseguir mais espaço do nosso esporte favorito em praças e parques públicos, escolas públicas e particulares, clubes, academias, e conquistar cada vez mais praticantes e maiores públicos para prestigiar torneios profissionais e amadores.

Ter sido criado em castelos europeus confere ao tênis uma aura de realeza, mas atualmente este jogo pode ser praticado em qualquer lugar, por qualquer pessoa, e o número de projetos sociais com tênis e de projetos de tênis em escolas brasileiras não me deixa mentir. 

Nada a temer, a não ser a ignorância.

 

 

N.A. A tabela publicada não reflete pesquisa científica formal, apenas a opinião da autora. 

 
 
 
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